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e-book - RESENHAS Uma ação do LILA (Laboratório Integrado de Letramentos Acadêmico-científicos)

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Presentation Transcript


  1. RESENHAS Por acadêmicos(as) do Centro de Ciências Sociais Aplicadas UNESPAR Apucarana

  2. Sumário 03 CONTEXTO ACADÊMICO 04 Resenha 1 A ESCRITA NO QUAL A INFLUÊNCIA DAS RELAÇÕES SOCIAIS NO DESEMPREGO DURANTE A PANDEMIA DO COVID-19? 07 Resenha 2 14 Resenha 3 SOCIALIZAÇÃO INCLUSIVA DE PESSOAS DIVERSAS NO MERCADO DE TRABALHO EMPREENDEDORISMO FEMININO BRASILEIRO 18 Resenha 4 23 Resenha 5 EMPREENDEDORISMO: AS MULHERES NO PODER 27 Resenha 6 A QUALIDADE DO TRABALHO NA PANDEMIA DO COVID-19 REFLEXÃO SOBRE OS IMPACTOS DA COVID-19 NO CAMPO DA SAÚDE E ASSISTÊNCIA

  3. "A escrita é imbuída de agência. A escrita não existiria sem que nós, como indivíduos, não trabalhássemos nem nos arriscássemos ao fazê-la." (BAZERMAN, 2011, p.11) A escrita no contexto acadêmico Compreendemos que estudantes ingressantes em cursos de graduação são inseridos em um novo e complexo campo de atividade linguageira, sendo demandados a desempenhar ações até então desconhecidas para a maioria, seja em língua portuguesa seja em línguas adicionais (inglês, espanhol, dentre outras). Justifica-se, portanto, a necessidade de ações intencionais e deliberadas de ensino voltadas aos letramentos acadêmico-científicos desses(as) estudantes. Nesse sentido, o Projeto de Ensino "Gêneros textuais da esfera acadêmico-científica em estudo – uma ação do Laboratório Integrado de Letramentos Acadêmico-científicos (LILA)" se constituiu em uma ação que ofertou possibilidades de leitura, compreensão e produção de gêneros da esfera acadêmico-científica, aprofundando os estudos já iniciados em disciplinas da matriz curricular dos cursos do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Unespar – campus Apucarana. Dessa forma, embasados pelo referencial teórico do Interacionismo Sociodiscursivo e sua vertente didática, os participantes do projeto envolveram-se em atividades de leitura, compreensão e produção de gêneros da esfera acadêmico-científica, a saber: I)Resumo, II)Resenha, III)Seminário, IV)Artigo científico. Com o intuito de compartilhar conhecimentos, este material reúne produções do gênero textual "Resenha". Professora Dra. Claudia Lopes Pontara Coordenadora do Projeto complementando e 3

  4. QUAL A INFLUÊNCIA DAS RELAÇÕES SOCIAIS NO DESEMPREGO DURANTE A PANDEMIA DO COVID-19? SILVA, Andressa Gabrielle Cubas (Unespar)1 BRAGA, Barbara Rebeca Leda (Unespar)2 RESUMO A presente resenha foi baseada no artigo “Mercado de trabalho e pandemia da covid-19: Ampliação de desigualdades já existentes?”, o qual traz dados estatísticos demonstrando a influência que as diferenças sociais causam em relação ao desemprego antes e depois da pandemia. Além de um breve resumo do artigo, a resenha irá trazer algumas críticas e um aprofundamento sobre alguns pontos. Palavras-chave: desigualdade social. mercado de trabalho; pandemia; REFERÊNCIA: BARBOSA, A.L.N.H; COSTA, J.S; HECKSHER, M. Mercado de trabalho e pandemia da covid-19: ampliação de desigualdades já existentes?, IPEA, Brasil, n.69, p.55-63, Julho de 2020. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/10186/1/bmt _69_mercdetrabalho.pdf Acesso em: 19 ago. 2021. O artigo “Mercado de trabalho e pandemia da covid-19: Ampliação de desigualdades já existentes?” foi escrito pelos autores: Ana Luiza Neves de Holanda Barbosa, que possui doutorado em Economia e atua na IPEA – Instituto Econômico de Pesquisa Aplicada; Joana Simões Costa, mestra em economia, graduada em direito, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea desde 2004 e atualmente está alocada na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais; Marcos Hecksher, doutor em População, Território e Estatística com graduação em economia e comunicação social. [1] Graduanda do curso de Ciências Contábeis da Unespar (Universidade Estadual do Paraná) – campus Apucarana. [2] Graduanda do curso de Ciências Contábeis da Unespar (Universidade Estadual do Paraná) – campus Apucarana. 4

  5. A estrutura do artigo se dá por 5 seções. De início, nos deparamos com uma introdução que relata um pouco sobre a influência da pandemia no desemprego e o local onde a pesquisa foi realizada. Na segunda seção, nos deparamos com a metodologia utilizada na pesquisa. Nesse caso, foram utilizados dados do IBGE e uma técnica descrita em Hecksher, para identificação do mês ou da quinzena em que os dados ocorreram. Nas próximas duas seções é retratado o aumento dos números de desempregados por características individuais (gênero, cor, escolaridade etc.) e pelo tipo ou experiência de trabalho (carga horária, registro de trabalho etc.). Também é válido ressaltar que essa obra está incluída no campo de estudos de economia e estatística, por isso foram utilizados alguns dados estatísticos do IBGE como base para elaborar os gráficos de comparação entre os períodos de pré e pós pandemia. De modo geral, os autores procuram demonstrar quais trabalhadores sofreram desemprego durante dois períodos da pandemia do covid- 19: a primeira e a segunda quinzena do mês de março de 2020. A tese está voltada ao retrato de como a desigualdade social durante a pandemia do covid-19 aumentou e ajudou no processo de desemprego. A introdução apresenta o objetivo do estudo: analisar as dificuldades de determinados grupos no processo de aquisição de emprego durante a pandemia. Na sequência, também acontece uma explicação da utilização de dados que aconteceram no início da pandemia (março de 2020). A seção 2 descreve a base de dados e a metodologia utilizada pelos autores. Além de utilizarem dados do IBGE e a técnica descrita em Hecksher, os pesquisadores elaboraram quatro etapas de análise que ajudaram a enxugar todos os dados adquiridos levando a uma precisão dos principais grupos afetados. maior impacto de 5

  6. A seção 3 analisa a perda ocupacional por gênero, idade e escolaridade, comparando o número de desemprego antes e durante a pandemia, chegando à conclusão de que mulheres e jovens foram os mais afetados pela pandemia do covid-19. A seção 4 decompõe a perda ocupacional por jornada, formalidade e rendimento do trabalho, analisando que mesmo antes da crise do covid já existia uma grande diferença entre os setores, pessoas com carteira assinada ou sem, aquelas que têm uma jornada parcial, um fato que só se agravou com a pandemia. Por fim, a seção 5 é dedicada às considerações finais. A obra é bem trabalhada e bem estruturada, os autores trazem dados muito importantes. Porém, sentimos falta de argumentos mais aprofundados. Eles trouxeram muitos dados, mas com uma explicação superficial. Por exemplo, o dado que retrata que as mulheres e os jovens são a maioria dos desempregados por características individuais não é explicado com profundidade. Nesse ponto, poderia ser colocada uma contextualização social do porquê isso acontece. Um exemplo do porquê as mulheres possuem uma maior taxa de desemprego talvez possa ser representado pelo fato de elas serem vistas como mais frágeis. Já no caso dos jovens, esse grande desemprego pode ter se dado por ser uma grande faixa etária com falta de experiência por serem pessoas novas etc. A despeito dos poucos problemas já apontados, o artigo traz dados que causam uma certa reflexão nos leitores, o que torna essa obra uma excelente leitura para aqueles que procuram entender o cenário da sociedade no contexto pandêmico. 6

  7. SOCIALIZAÇÃO INCLUSIVA DE PESSOAS DIVERSAS NO MERCADO DE TRABALHO SABATER, Isadora Rafaela (Unespar) 1 RESUMO Em uma época marcada pelo avanço de publicação e circulação de fake news e de informações sem fontes seguras e confiáveis, via redes sociais, é de extrema importância que o conhecimento acadêmico e científico seja apresentamos, neste trabalho, a resenha do artigo “Diversidade, políticas públicas e administração de empresas”, produzido por Maria Beatriz Rodrigues. Esperamos, com isso, ampliar as possibilidades de disseminação e produção do conhecimento científico. difundido. Nesse sentido, Palavras-chave: diversidade; inclusão; welfare, política. REFERÊNCIA: RODRIGUES, Maria Beatriz. Diversidade, políticas públicas e administração de empresas. RACE, Unoesc, v. 6, n. 1, p. 65- 76, jan/jun. 2007. Disponível em: https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/race/article/view/399 Acesso em: 19 ago. 2021. Maria Beatriz Rodrigues,autora do artigo “Diversidade, políticas públicas e administração de empresas”, é Ph.D. pelo Institute of Development Studies (IDS), Sussex University (GB), foi psicóloga e educadora na Itália (Gênova) -Cooperativa Sociale, onde trabalhou em cooperativas sociais com diversidade, interculturalidade e inclusão. Além dessas ocupações, Rodrigues ainda atua como Professora Adjunta da Escola de Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Administração, também na UFRGS, professora visitante no [1] Graduanda do curso de Secretariado Executivo Trilingue da Unespar (Universidade Estadual do Paraná) – campus Apucarana. 7

  8. Departamento de Ciências da Formação da Università Degli Studi di Macerata na Itália. A experiência da autora como pesquisadora, psicóloga e educadora na Europa vem sendo acumulada desde 2002. Maria Beatriz Rodrigues foi, ainda, Embaixadora no Brasil do Institute of Development Studies de 2013 a 2016, consultora da Unesco, de 2009 a 2011, em educação e diversidade, em projetos de saúde das populações indígena e negra e contra a violência com idosos. O artigo “Diversidade , políticas públicas e administração de empresas” traz em sua construção cinco momentos de escrita - além, claro, do resumo no qual a autora descreve quais são as abordagens realizadas por ela durante a pesquisa e escrita do artigo, sendo uma delas a assistência social e a outra os serviços assistenciais prestados às pessoas diversas. A partir da leitura do texto, depreende-se uma ideia social relacionada com a inclusão e o bem-estar no âmbito laboral de “pessoas diversas ou diversamente hábeis” – termo definido pela autora como “portadores de deficiências físicas e/ou mentais”. Com uma leitura minuciosa feita sobre o artigo, fica claro que o objetivo geral da autora não é apresentar uma solução para a questão abordada, mas sim debater acerca do tema sob um olhar sociológico e histórico, isto é, nas palavras de Rodrigues, discutir se “os sujeitos, diversamente hábeis, devem ser segregados desde os bancos escolares ou devem ser incluídos na vida produtiva” (p. 66). Para realizar tal debate, a autora faz uso de conceitos sociais, políticos e históricos, evocando uma clara pesquisa bibliográfica e documental acerca da inclusão de indivíduos diversos, da ética, inclusão laboral e educacional, cultura e interculturalidade. Logo na introdução , feita em três pequenos parágrafos, a autora apresenta um cenário claro de discriminação perante a diversidade, como sugere a 8

  9. seguinte passagem: “[...] não é fácil lidar cotidianamente com a diversidade, e vários exemplos de discriminação nos confirmam essa dificuldade” (p. 66). Além disso, alerta o leitor quanto ao tipo de diversidade ao qual o artigo prende-se, sendo essa relacionada a indivíduos com habilidades diversas, envolvendo-os dentro do cenário de mercado de trabalho. Na seção seguinte, intitulada ‘Estado de Bem-estar social’, a autora traz o conceito central do estudo “welfare state” definido como “um sistema de garantia de condições satisfatórias de vida de uma população, projetado e praticado por um Estado” (p. 66), e descreve, ainda, a progressão desse estado de bem-estar para o welfare mix. Sobretudo, além dos conceitos, pode-se perceber ao longo da leitura o quanto as prioridades de proteção social mudam de um país para outro, como dito pela própria autora: “[...] as soluções baseadas no individualismo são preferidas pelos países anglo-saxônicos; as soluções baseadas na igualdade social e no universalismo são típicas de países escandinavos, enquanto as fundadas no corporativismo e na concessão de subsídios são encontradas em países como França, Espanha e Itália” (p. 67). Ainda partindo da ideia de que as prioridades de proteção mudam de um país para o outro, tem-se o seguinte trecho “os modelos se diferenciam uns dos outros porque os países, ao momento da elaboração do welfare, seguiram concepções diferentes do que, segundo eles, significava ‘boa sociedade’” (p.67). Esse trecho aponta para as diferentes formas de interpretar situações e as possíveis soluções do que poderia ser considerado um problema ou não. Na seção 3 “Políticas públicas de proteção social: leis sobre diversidade”, Rodriguez apresenta a evolução das políticas públicas de proteção social desde os períodos de guerra. Inicialmente, as políticas de proteção social aplicavam-se às pessoas que haviam sofrido grandes 9

  10. consequências da guerra. Todavia, mais tarde, esse grupo de pessoas foi ampliado com o acolhimento de outros grupos em diferentes situações. Dando seguimento a essa ideia, tem-se o seguinte excerto: “Diversidade é, portanto, um conceito dinâmico e sujeito às constantes mudanças sociais. O que era diverso no passado continua a ser, mesmo após lutas e vitórias por reconhecimento social, mas novos grupos são acolhidos nesse contínuo movimento” (p. 69) Esse acolhimento, descrito pela educadora, teria ocasionado mudanças políticas, gerando uma preocupação com a inclusão social dos indivíduos, no caso específico do artigo em questão, a inclusão de pessoas com habilidades físicas ou mentais diversas. Ainda na seção 3, a pesquisadora usa de autores como Foucault para discutir sobre como as assistências oferecidas aos indivíduos especiais configuram uma situação que confirma as estruturas de poder existentes. Nesse cenário, a assistência prestada seria uma forma de controle. Outro autor em que a autora se pauta é Sennett que traz uma crítica sociológica quanto ao fechamento de manicômios (e outras instituições totais). Segundo o crítico, o fechamento ocorreu de uma forma tão veloz que não deu abertura à possibilidade de substituição do sistema “tradicional” por um sistema de acolhimento moderno, e indo ainda mais a fundo no tema em questão, a psicóloga traz uma colocação de Sennett quanto à supervalorização da comunidade nessa transição. Isto é, o crítico coloca em xeque a capacidade inclusiva das pessoas pertencentes à comunidade. Somado a essa situação, a pesquisadora cita a tentativa dos governos da época em aliviar as as responsabilidades com a assistência social e reduzir os gastos públicos. Dando continuidade ao artigo, na seção 4, “Trabalhar 10

  11. com diversidade”, a discussão da psicóloga volta-se para o mercado de trabalho, reafirmando em diversos parágrafos a importância da inclusão de pessoas diversas no âmbito social, e apesar dessa reafirmação constante, Rodrigues ainda diz entender os desafios presentes nesse processo de aceitação e enfrentamento de desafios, como se vê em: “Aceitar o diferente significa estar aberto ao contraste, ao questionamento de certezas, à tolerância, ao sofrimentos e às limitações” (p. 71). Ainda, de uma forma muito bem colocada, Rodrigues faz uma citação de Ianes e Canguilhem sobre a mudança de imagem das normas: “Não se trata de negação das necessidades reais de auxílio a quem possui um déficit de aprendizagem e desenvolvimento, mas de modificar a imagem da norma como limitante, intransponível e circunscrita aos sem eficiência.Trabalhando para modificar a imagem da norma, trabalha-se com sua fixidez que, frequentemente, está na base da discriminação” (p. 71). Esse trecho, de certa forma, resume o debate principal do artigo, não se trata (somente) de conscientização, mas também de flexibilização de normas que colocam barreiras no desenvolvimento de pessoas pertencentes a grupos diversos. Na conclusão, Maria Beatriz Rodrigues afirma uma tendência mundial da transição do sistema welfare state para o sistema welfare mix, isto é, a abordagem de inclusão de diversidades no mercado de trabalho como um tema social e cooperativo, não sendo somente político, e aponta para a dificuldade de os países manterem o antigo sistema em uso. Logo, a colaboração entre o público e o privado mostraria um cenário no qual as políticas sociais saem do papel e entram em ação, sendo, por fim, colocadas em prática. Além disso, a autora descreve uma situação de falta 11

  12. de incentivos para o desenvolvimento de pessoas com habilidades diversas, visto que grande parte dessas pessoas acabam sendo deixadas de lado. A psicóloga ainda faz menção a empresas que poderiam beneficiar-se de pessoas com habilidades diversas, desde que essas fossem estimuladas ao desenvolvimento. A conclusão da autora relaciona-se ao respeito recíproco entre pessoas pertencentes à comunidade, fazendo uma descrição da sociedade brasileira. Rodrigues denota que, apesar do estudo feito, ainda não há respostas para um tema tão complexo que envolve toda uma comunidade e a interação entre indivíduos pertencentes a ela. Após realizar a leitura do artigo várias vezes, fazendo um estudo criterioso, é evidente o quanto Maria Beatriz Rodrigues escreve de forma clara e objetiva. Mesmo que o leitor se perca no meio das excessivas citações feitas pela autora, ainda é possível ter um claro entendimento acerca do tema abordado e do objetivo do estudo realizado. Ao fazer uma análise sociológica sobre a inclusão de pessoas diversas, o que a psicóloga deseja não é apenas tratar do assunto de maneira científica, mas sim trazer um debate inclusivo, dar direito de fala e de desenvolvimento, como descrito no seguinte excerto: “O sujeito doente pode e deve escolher quando ser contido, procurando ajuda voluntariamente quando pensa ser necessário. A comunidade pode e deve acolher esses sujeitos em seu cotidiano,ajudando-os e aceitando-os com suas diferenças” (p. 70). O enunciado colocado resume a questão empática do tema, ao colocar-se no lugar do outro e agir com “normalidade”, não tratando assustador de se enfrentar nem reduzir o indivíduo a sua diversidade, já que antes de tudo ele é uma pessoa que 12 o diverso como algo

  13. pertence à comunidade. Como leitora de um artigo que não pertence (especificamente) à área de estudo na qual estou me graduando, senti, em alguns momentos, a falta de definição de conceitos que seriam relevantes para o entendimento pleno do texto, como por exemplo a não definição do conceito de linha móvel proposto por Foucault. O tema proposto por Maria Beatriz Rodrigues é de suma importância para qualquer área de estudo, já que se trata de um assunto social. Embora tenha sido pesquisado e escrito por uma profissional da área de Ciências Sociais e que, provavelmente, tenha maior relevância para aqueles pertencentes a essa, ao voltar-se para a parte social do artigo fica evidente o quanto sua leitura não deve ficar exclusiva a uma só área. 13

  14. EMPREENDEDORISMO FEMININO BRASILEIRO SILVA, Lara Isadora Alves da (Unespar)1 RESUMO A partir da referência de outros estudos realizados com mulheres empreendedoras, Eva Jonathan nos apresenta um artigo voltado para a pesquisa do empreendedorismo na cidade do Rio de Janeiro – BR. Com sua pesquisa, podemos perceber qual é a realidade vivida por essas mulheres ao optarem por entrar no mundo empresarial com seus próprios empreendimentos. Palavras-chave: empreendedorismo feminino, exercício de poder; desafios e consequências. REFERÊNCIA: JONATHAN, Eva G. Mulheres empreendedoras: o desafio da escolha do empreendedorismo e o exercício do poder. Psicologia Clínica, Rio de Janeiro, v. 23, n.1, p. 65–85, set. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pc/a/YcSysGmpDJmG4TDjscwFhpN /?lang=pt#. Acesso em: 17 ago. 2021. Acesso em: 17 ago. 2021. Quanto à autora do artigo " Mulheres Empreendedoras: o desafio empreendedorismo e o exercício do poder", conheçamos um pouco sobre ela. Eva Gertrudes Jonathan é Psicóloga licenciada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio (1968) e com mestrado em Psicologia Experimental e Psicologia Social pela PUC-Rio (1974). Atualmente, é professora aposentada e pesquisadora na área de empreendedorismo, empreendedorismo feminino. Seu artigo está dividido em seis partes, sendo elas: O resumo, a introdução, as considerações metodológicas, os da escolha do com ênfase no [1] Graduanda do curso de Administração de Empresas da Unespar (Universidade Estadual do Paraná) – campus Apucarana. 14

  15. resultados, a discussão e as considerações finais. Contém uma temática relacionada feminino no Brasil e é direcionado para o campo de estudo das Ciências Humanas, com enfoque na Psicologia Clínica. O objetivo do estudo, segundo Jonathan, é: ao empreendedorismo "[ ... ] refletir sobre a relação das mulheres com o poder , focalizando desafios e consequências do empreendedorismo feminino,bem com as características do poder exercido por mulheres no comando de seus empreendimentos." (p. 66). Para isso, foi seguida uma metodologia a partir de diferentes investigações. A autora realizou sua pesquisa na cidade do Rio de Janeiro, com 149 mulheres, com o propósito de expor a compreensão que as próprias empreendedoras cariocas possuíam. A escritora nos apresenta, na primeira parte do texto, o resumo, uma prévia de alguns aspectos que serão apresentados por ela no decorrer de seu trabalho. E, a partir da seção seguinte - a introdução - ela nos apresenta, de maneira ligeiramente mais específica, como o empreendedorismo feminino foi abordado por outros pesquisadores, e como esses aspectos analisados influenciaram Eva Jonathan a verificar - a partir da realização de um estudo de campo - quais as possíveis consequências identificadas empreendedoras brasileiras. A terceira seção, denominada "Considerações metodológicas", dedica-se à descrição dos aspectos metodológicos que foram utilizados pela escritora na realização de seu estudo feito com empreendedoras de segmentos variados da economia na cidade do Rio de Janeiro. Observamos nessa seção que, assim como ocorrido nas pesquisas realizadas anteriormente, o norte 15 pelas mulheres

  16. de análise proposto por sua pesquisa é a exposição de opinião da mulher empreendedora sobre suas próprias experiências de trabalho. Na seção denominada "Resultados", a estudiosa nos apresenta uma análise que foi concluída por ela após o fim de sua pesquisa. Entre esses dados, ela nos apresenta que foram localizadas algumas semelhanças entre as mulheres empreendedoras, como: faixas etárias, estado civil e médias diárias de trabalho dedicado ao empreendimento. Ademais, Eva Jonathan divide essa parte de sua obra em dois eixos, sendo o primeiro deles caracterizado pela demonstração de quais foram os desafios enfrentados ao escolher o empreendedorismo como forma de adentrar no mercado de trabalho, e o segundo desses eixos sendo observação feita pelas empreendedoras sobre sua forma de exercício de poder. Em sua quinta seção, a autora dedica-se a uma discussão sobre sua pesquisa, tendo como objetivo a explicação das pautas pesquisadas por ela. A estudiosa nos apresenta, nesta seção, que embora muitos desafios e desgastes venham a empreendedoras ao optarem por abrirem seu próprio empreendimento, elas também se mostram cada dia mais otimistas e confiantes em relação ao aumento do número de mulheres empreendedoras no Brasil. Por fim, a autora apresenta as considerações finais, concluindo todas as suas análises. Após uma acurada observação em diferentes pesquisas relacionadas ao poder do empreendedorismo feminino, ela considera que a vontade de adentrar no mercado de trabalho por conta própria se constrói junto com uma busca de mudar suas realidades profissionais e pessoais. E que essa nova perspectiva de vida apresenta a essas mulheres um imenso sentimento de prazer e realização, já que suas formas de lideranças são compartilhadas e elas alcançam um nível de coletividade muito grande em 16 representado pela ser enfrentados pelas

  17. suas empresas. Depois de feita uma apurada leitura da obra de Eva Jonathan, percebemos, graças a sua forma de escrita clara e objetiva, qual o objeto de estudo ali manifestado. A autora nos apresenta dados não só de sua própria pesquisa, mas também de outros pesquisadores sobre o tema empreendedorismo feminino, o que auxilia em uma boa discussão que é localizada no texto e em uma clara conclusão sobre as perspectivas analisadas. Graças a todos esses aspectos, essa obra pode ser facilmente indicada para estudantes de graduação, ou até mesmo para outros membros da comunidade que tenham interesse em obter mais informações sobre o empreendedorismo feminino no Brasil, pois a partir dele localizamos dados que conhecimento sobre as dificuldades, desafios e conquistas que as empreendedoras encontraram nessa forma de trabalho próprio. nos acrescentam um 17

  18. EMPREENDEDORISMO: AS MULHERES NO PODER NASCIMENTO, Lívia Oliveira (Unespar)¹ RESUMO Em um período de ampla circulação de fake news e informações sem fonte determinada ou conhecida, facilitada pelo advento da internet, é imprescindível a produção e o compartilhamento do conhecimento acadêmico e científico. Sendo assim, apresentamos, neste trabalho, a resenha do artigo “Mulheres empreendedoras: o desafio da escolha do empreendedorismo e o exercício do poder”, da autoria de Eva Gertrudes Jonathan. Com isso, esperamos contribuir com a ampliação da disseminação do conhecimento científico. Palavras-chave: mudanças sociais. empreendedorismo feminino; poder; REFERÊNCIA: JONATHAN, Eva Gertrudes. Mulheres empreendedoras: o desafio da escolha do empreendedorismo e o exercício do poder. Psicologia Clínica, Rio de Janeiro, v. 23, p. 65-85, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pc/a/YcSysGmpDJmG4TDjscwFhpN /?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 23 ago. 2021. Eva Gertrudes Jonathan é psicóloga e licenciada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1968), com mestrado em Psicologia Teórico Experimental e Psicologia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1974). Atualmente, é professora aposentada da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, pesquisadora na área de empreendedorismo, com ênfase em empreendedorismo feminino e mediadora de conflitos, desenvolvendo também atividades de pesquisa e docência nesta área. O trabalho em questão é dividido em sete seções, são elas: resumo/abstract, introdução, metodológicas, resultados, discussão, considerações finais Social pela Pontifícia considerações ¹Graduanda do 1º ano do curso de Ciências Contábeis da Unespar (Universidade Estadual do Paraná) - campus Apucarana. 18

  19. e referências; e aborda o empreendedorismo feminino e a relação das mulheres com o poder, discorrendo sobre suas motivações, consequências, dificuldades e estratégias. Nesse sentido, o artigo se insere no campo das ciências sociais aplicadas e, apesar de não especificar seu público, entende-se que é direcionado, prioritariamente, à comunidade feminina. A autora traz como objetivo de seu artigo “[ ... ] refletir sobre a relação das mulheres com o poder, focalizando desafios e consequências do empreendedorismo feminino,bem como as características do poder exercido por mulheres no comando de seus empreendimentos.”(JONATHAN, 2011, p. 66). Tem como tese central as mulheres empreendedoras e sua capacidade de exercer poder com os outros, construindo redes sociais, e em prol de outras mulheres, a fim de empoderá-las e promover sua inclusão social e profissional, provocando, dessa mudanças sociais, econômicas e culturais. Em relação à metodologia, o trabalho caracteriza-se como uma pesquisa expositiva e descritiva na qual participaram 149 empreendedoras cariocas, as quais foram contatadas por e-mail, responderam a um questionário e foram entrevistadas, sendo feito, ao final de todo esse processo, um exame transversal (entre as participantes) e um exame vertical (de depoimentos. Na introdução, Jonathan primeiro descreve o objetivo do artigo (já relatado anteriormente) e faz menção a autores que já abordaram o mesmo tema de seu trabalho ou temas relacionados, tais quais o próprio processo de empreender e o empreendedorismo social. Além disso, explicita a tamanha importância do empreendedorismo feminino, afirmando a quebra de padrões promovida pelas mulheres quando estas empreendem. Expõe os motivos que levam as mulheres a empreender ( destacando que, forma, significativas cada participante) dos 19

  20. dentre outras razões, o empreendedorismo feminino é invocado quando a mulher não encontra mais opções para entrar em um mercado de trabalho discriminatório), as estratégias utilizadas por multiplicidade de papéis e as características de sua liderança. A psicóloga afirma, na seção das considerações metodológicas, que a abordagem de seu estudo focou na exposição da percepção empreendedorismo praticado por elas e na descrição de seu universo simbólico, além de caracterizar o passo a passo de sua pesquisa com uma amostra composta por 149 empreendedoras cariocas. Em seguida, na seção dos resultados, a autora faz uma divisão em três partes: a primeira caracteriza o perfil das mulheres que participaram da pesquisa; a segunda (ou primeiro eixo, como dito no artigo) diz respeito ao desafio enfrentado pelas mulheres quando empreendem para se inserir no mercado de detalhadamente a motivação, as consequências, as dificuldades e as estratégias empreendedoras; e a terceira (ou segundo eixo, como escrito no trabalho) refere-se às características na forma de as mulheres exercerem o poder, ou seja, como elas lideram, além de evidenciar o empoderamento feminino e as mudanças sociais como consequência desse processo de empreender. Nesta seção, empreendedorismo traz consequências positivas para a mulher, e como, por isso, deve ser mais incentivado, pois as mulheres que empreendem tornam-se um espelho para as outras, além de darem oportunidades àquelas que foram “descartadas” pelo mercado de trabalho. Partindo para o tópico da discussão, Jonathan tece comentários e coloca suas análises diante dos resultados obtidos em seu estudo, fazendo suposições ou afirmações sobre cada descoberta da pesquisa, como o bem-estar elas para lidar com a das mulheres sobre o trabalho, abordando usadas pelas fica claro como o 20

  21. subjetivo empreendedorismo, a desconstrução da discriminação de gênero no ambiente de trabalho, a liderança compartilhada exercida pelas empreendedoras, a missão de empoderar trazida por elas e as mudanças que as mulheres empreendedoras causam na sociedade, mostrando, de forma clara e coerente, que a mulher, ao empreender, impõe o seu espaço e contribui para a desconstrução da imagem tradicional do empreendedor homem. A penúltima seção do artigo, denominada "Considerações Finais", faz o fechamento do trabalho retomando pontos relevantes dos tópicos anteriores com conclusões pessoais da autora sobre a importância do empreendedorismo feminino, o que ele significa para as mulheres e os benefícios que traz à sociedade. Nesse sentido, a professora defende consistentemente que se deve investir nas mulheres, pois elas ainda são as grandes responsáveis pelo cuidado e manutenção da família, além de assumirem múltiplos papéis e exercê-los, em sua maioria, com excelência. Para finalizar, a autora traz inúmeras referências na última seção, abrangendo até mesmo textos em inglês e demonstrando domínio e árduo estudo para que pudesse produzir seu trabalho com excelência. Não há dúvidas de que Eva Jonathan traz em seu belíssimo artigo, com uma compreensão e uma boa e clara organização, uma discussão totalmente pertinente, sobretudo nos dias de hoje, em que a igualdade de gêneros é uma pauta recorrente, porque além de o próprio empreendedorismo feminino ser um assunto de enorme importância, ele resgata outras questões essenciais, estereotipado da mulher na sociedade e a discriminação sofrida por ela para sobreviver nesse contexto. O fato de não haver um destaque aos objetivos geral e específicos, podendo passar despercebidos pelo leitor 21 nas mulheres provocado pelo linguagem de fácil como o lugar

  22. devido à forma como foram colocados no trabalho, não diminui em nada a extrema importância, utilidade e indiscutível relevância desse artigo à sociedade como um todo, inclusive aos estudantes de ciências contábeis, no sentido de que o processo de empreender envolve questões administrativas estudadas no curso citado, além de contribuir socialmente para que se reconheçam as significativas mudanças empreendedorismo feminino e se incentive as mulheres a empreender. provocadas pelo 22

  23. A QUALIDADE DO TRABALHO NA PANDEMIA DO COVID-19 MELO, Sanderléia Rosa Inácio de Souza(Unespar)1 RESUMO No momento atual em que nos encontramos, no qual as informações que nos chegam são de grande importância sobre o tema enfocado, devemos buscar fontes confiáveis para nossos conhecimentos, e termos base científica e acadêmica para podermos transmitir essas informações. Por outro lado, estão surgindo algumas preocupações que devemos ter em relação à pandemia, ao desemprego e à exploração do trabalho a que os trabalhadores estão sujeitos. Assim sendo, apresentamos a resenha do artigo “A qualidade do trabalho na pandemia do Covid-19”, de autoria de Diego de Oliveira Souza. Acreditamos que esta resenha poderá agregar mais conhecimentos a todos que tiverem interesse no tema abordado. Palavras-chave: pandemia; desemprego; exploração do trabalhador. REFERÊNCIA: SOUZA, Diego de Oliveira. As dimensões da precarização do trabalho em face da pandemia de Covid-19. Trabalho, Educação e Saúde [online].v. 19, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1981-7746-sol00311. Acesso em: 21 de out. de 2021. O autor do trabalho é Graduado em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal de Alagoas - UFAL, especialista em Enfermagem do Trabalho pela Faculdade de Tecnologia Internacional - FATEC Internacional, mestre em Serviço Social pela UFAL e doutor em Serviço Social pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ. Atualmente é professor do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social (PPGSS) da UFAL, do Programa de ¹Graduanda do 1º ano do curso de Serviço Social da Unespar (Universidade Estadual do Paraná) - campus Apucarana. 23

  24. Pós-Graduação em Ensino e Formação Profissional da UFAL - campus Arapiraca e do curso de Graduação em Enfermagem da UFAL - campus Arapiraca. Atua nas seguintes áreas: Saúde do Trabalhador; Saúde Coletiva; Serviço Social; Enfermagem; e Ensino. Pesquisa sobre: trabalho; trabalho e saúde; questão da saúde dos trabalhadores; campo da Saúde do Trabalhador; cargas de trabalho; processo de desgaste; educação e ensino em Saúde do Trabalhador; determinação social da saúde; processo saúde-doença; ontologia e saúde; saúde e questão social; saúde e economia; financiamento da saúde pública. É líder do GETSSE (Grupo de Estudo Trabalho, Ser Social e Enfermagem) - CNPq - UFAL/Campus Arapiraca, atuando na seguinte linha de pesquisa: Trabalho, Saúde, Enfermagem e Sociedade. O artigo se organiza em quatro seções, a saber, Introdução, Percurso Metodológico, Análises e Discussões (sob os seguintes títulos: Desemprego, vínculos e relações contratuais; Organização, condições de trabalho e saúde dos trabalhadores: home office, uberização e descaso; Construção de identidades e organização coletiva para a luta) e Considerações Finais. O objetivo do autor é orientar os trabalhadores, estudantes e pesquisadores da área da saúde e sociedade em geral sobre o fato de que a precarização do trabalho é uma forma do modo de produção capitalista, sendo a base para a exploração do trabalho, impondo aos trabalhadores que, para sobreviverem, aceitem essas regras que os oprimem. De acordo com Souza, a pandemia aumentou as novas formas de trabalho. Devido ao isolamento social, essas formas de trabalho passaram a ser necessárias para que o trabalhador pudesse manter-se empregado. Com isso, esses trabalhos criaram uma ilusão que o capitalismo tem maquiado, a de que o trabalhador torna-se um empreendedor, patrão de si mesmo, e isso tem feito com que o indivíduo trabalhe ainda mais para garantir seu 24

  25. sustento e de sua família, em serviços que não garantem nenhuma proteção social, sem direitos trabalhistas e ganhando muito menos com muito mais horas de trabalho. Os trabalhos realizados em suas casas - o home office, têm aumentado devido ao isolamento social, causando uma sobrecarga ao trabalhador, que tem que dar conta dos seus serviços domésticos e suas famílias, conforme explanado pelo autor. Essa sobrecarga, segundo ele, tem colaborado muito para o aumento de doenças referentes ao sistema psicológico, causando estados depressivos e estresses no trabalhadores. O autor enfatiza que a Pandemia do Covid-19 tem colaborado com a precarização do trabalho, aumentando a exploração dos trabalhadores devido às suas necessidades de sobrevivência. Com a pandemia, o desemprego aumentou ainda mais e o governo federal teve que adotar algumas medidas provisórias para essa fase que estamos vivendo. Ao discutir sobre “Organização, condições de trabalho e saúde dos trabalhadores: home office, uberização e descaso”, o pesquisador assevera que os trabalhadores que desenvolvem suas atividades nas ruas, na linha de frente estão mais vulneráveis a serem contaminados. Mas não resta à classe trabalhadora outra alternativa, que não a de enfrentar o medo da contaminação, assim como o descaso dos governos, com vistas lutarem pelos seus direitos contra esse trabalho precário, em que não existem direitos garantidos , ocasionando a exposição ao vírus, além de prejudicar a saúde psicológica e social dos trabalhadores. Por outro lado, ao tratar do tópico “Construção de identidades e organização coletiva para a luta", Souza esclarece que algumas categorias profissionais ganharam mais força em suas manifestações com a pandemia, a exemplo dos entregadores de app e os motoristas que já vinham lutando por seus direitos, conforme o ocorrido com a greve dos dias 08 e 9 de maio de 2019. 25

  26. Dentre as reflexões trazidas pelo autor em suas considerações finais, ele enfatiza que discussões sobre a precarização do trabalho têm que ser tratadas de forma a ser objeto político de ação dos próprios trabalhadores, para que medidas sejam tomadas e realidades transformadas. Ainda, por ser um tema altamente necessário nos dias atuais, o autor faz suas considerações finais acentuando que durante a pandemia, o que já causava tensões dentro do modo de produção capitalista somente veio agravar e acentuar ainda mais nesse período, fazendo com que a vida dos trabalhadores seja mais precária, mais difícil, menos remunerada e que isso só pode mudar se os próprios trabalhadores lutarem por essas mudanças e transformações. O foco maior deste artigo é discutir o quanto a pandemia prejudicou ainda mais a vida dos trabalhadores, evidenciando as situações precárias a que se submetiam antes do contexto pandêmico. O estudo, contudo, não se limita a propor normas, como uma receita do que deve ser seguido para reverter tantos retrocessos. Dessa forma, o artigo pode ser útil para aqueles que querem informações ou orientação para aprimorar seus estudos científicos e que têm dúvidas específicas, mas também para os iniciantes, que se beneficiarão ao ler um texto mais extenso, com um tema atual e de grande importância sobre cada aspecto envolvido. 26

  27. REFLEXÃO SOBRE OS IMPACTOS DA COVID-19 NO CAMPO DA SAÚDE E ASSISTÊNCIA FURUKITA, Rafael Ayafuso (Unespar)1 RESUMO A presente resenha tem por objetivo fomentar a produção e a disseminação de conhecimento científico em um momento em que as informações circulam com extrema rapidez e muitas vezes com ausência de veracidade, por meio das redes sociais e pelos veículos de comunicação informal. Em uma linguagem voltada à esfera acadêmico- científica, a temática “as contradições no mundo do trabalho no contexto da covid 19" é abordada no artigo escrito por Matheus Viana Braz. Palavras-chave: COVID-19; pandemia; impactos no trabalho; política pública. REFERÊNCIA BRAZ, Matheus Viana. Editorial : A pandemia de COVID-19 (SARS-CoV-2) e as contradições do mundo do trabalho. R. Laborativa, v. 9, n. 1, p. 116-130, abr./2020. Disponível em: https://ojs.unesp.br/index.php/rlaborativa/issue/view/136 Acesso em: 27 ago. 2021. Matheus Viana Braz é professor na cadeira de Psicologia do Trabalho e das Organizações da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), unidade de Divinópolis. Professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Doutor pelo Programa de Pós- Graduação UNESP/FCLA. Mestre pela mesma instituição, com período sanduíche na Université Paris Diderot 7 (Laboratoire de Changement Social et Politique), França. Graduado em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Campus de Assis, com período sanduíche na Universidade de Santiago de Compostela, em Psicologia da 1. Acadêmico do 1º ano do Curso de Ciências Contábeis da Unespar (Universidade Estadual do Paraná) – campus Apucarana. 27

  28. Espanha. Coordenador do Laboratório de Trabalho, Saúde e Processos de Subjetivação (LATRAPS-UEMG). É autor do livro Paradoxos do Trabalho: as faces da insegurança, da performance e da competição. No artigo intitulado “A pandemia de COVID-19 (SARS- CoV-2) e as contradições do mundo do trabalho”, publicado na revista Laborativa, uma publicação semestral da Coordenadoria de Saúde e Segurança do Trabalhador – UNESP, Matheus Viana Braz apresenta suas discussões em três seções, a saber, Desenvolvimento – com os seguintes enfoques: "Divisão social do Trabalho e a informalidade em meio à pandemia de COVID-19", "A crise das dinâmicas de reconhecimento no trabalho, COVID-19 e a irredutibilidade do indivíduo e do social"; fechando com as Considerações finais. O artigo foi publicado em abril de 2020, com o objetivo de trazer à tona alguns apontamentos até então não debatidos, ou, ainda, deixados de lado, em um momento de incertezas sobre a situação trazida ao país pela pandemia, quando as instituições e a ciência foram atacadas. Nas considerações iniciais, o autor mostra dados históricos conhecidos até aquela data, com informações sobre a possível origem do vírus em Wuhan, na China, e de sua rapidez na propagação através das vias respiratórias, o que ocasionou a propagação do vírus. Em seguida, Braz informa como surgiu o primeiro caso no Brasil, e de qual forma o país e os estados reagiram implementando medidas de distanciamento social, reforçando os leitos e a infraestrutura nos hospitais para que, quando o país atingisse o pico, pudesse ter melhores condições de atendimento e assistência aos pacientes. Nesse momento, as incertezas se confundiram com as fake news, gerando um ambiente de tensão e insegurança para a população. Ao tratar do tópico “Divisão social do trabalho e a informalidade em meio à pandemia do COVID-19”, o professor começa abordando os contextos históricos da Considerações Iniciais; 28

  29. organização do trabalho, de como o trabalho evoluiu do padrão taylorista e fordista para a sociedade competitiva em que vivemos, com senso de urgência, flexibilização e precarização das relações inúmeras pessoas na informalidade. Em seguida, apresenta dados estatísticos do IBGE (2019) em que mais de 38,8 milhões de pessoas atuavam na informalidade, representando 41,1% da população ocupada e um dado preocupante: cerca de 104 sobreviviam com até R$ 413,00 por mês. O autor esclarece que, com os efeitos provocados pela pandemia, como o fechamento do comércio, a redução da produção industrial e de serviços, foi criado o Auxílio- emergencial para oferecer o mínimo de subsistência à população. Seu objetivo era suprir a renda daqueles que ficaram desempregados. Surge, então, uma situação, a qual o governo não dimensionava: o grande número de “invisíveis” para o Estado. Isto é, aqueles que não possuem CPF ou até mesmo certidão de nascimento. Na sequência, Matheus Viana Braz aborda o motivo pelo qual o ser humano trabalha: suprir suas necessidades materiais e, com isso, ter um status e reconhecimento social através do seu trabalho. Discute, ainda, sobre como o universo do trabalho é desempenho, do fazer mais com menos. Nos primeiros dias de isolamento, destaca o autor, os brasileiros passaram a reconhecer a centralidade de atividades elementares para a sociedade, tais como as desenvolvidas por professores e profissionais de saúde. Aqueles reconhecidos pelos pais que naquele momento tiveram que auxiliar as crianças com suas atividades escolares, e estes vistos pelas pessoas como um verdadeiro exército na linha de frente contra o vírus. Em meio a essa crise, escreve o professor, os profissionais da saúde eram homenageados nas ruas. Mas em seu local de trabalho, faltavam equipamentos de proteção individual, máscaras, álcool em gel, levando-os a sentir o esgotamento físico e psicológico inerentes à 29 de trabalho, colocando milhões de brasileiros predominado pelo alto

  30. situação calamitosa. Em seguida, trata especificamente do campo da educação, ciência e pesquisas, expondo os efeitos colaterais dos desinvestimentos nessas áreas e fazendo, ainda, um comparativo entre uma nação que investiu nessas áreas (a Coréia do Sul) e o Brasil, e como o primeiro conseguiu controlar melhor o contágio do vírus. Mas, mesmo diante dessa situação, o setor que mais ajudou a população brasileira foi o da educação com suas universidades públicas e seus profissionais, colaborando com a busca de caminhos para realizar a testagem em território nacional. No último tópico do desenvolvimento – “COVID-19 e a irredutibilidade do indivíduo e do social”, o autor afirma que “o ser humano é o produto e o produtor da sociedade em que o produziu” (p.124) e que o indivíduo e o social são irredutíveis e interdependentes. Assevera também que o achatamento da curva de contágio só seria possível com a conscientização de cada individuo com seus semelhantes. Já nas Considerações Finais, Braz propõe uma reflexão sobre o fato de que a pandemia mostrou a dependência da indústria mundial para com a economia chinesa, seja por tecnologia seja pelos insumos para a futura vacina. Também trouxe à tona debates ocultados e desprezados na esfera pública, como os invisíveis, os trabalhadores informais, a consequência da precarização em ciência e tecnologia. A obra contém muitas palavras de difícil compreensão ao público geral, mais voltadas aos profissionais de saúde e acadêmicos de psicologia, o que pode ter dificultado o acesso apresentado. Porém, trouxe apontamentos necessários que precisam ser discutidos pela sociedade com vistas a cobrar ações dos governantes. Através do artigo, o autor buscou esclarecer os impactos psicossociais gerados pela COVID-19 para que possamos encontrar caminhos eficazes de contornar esses impactos. 30 ao conteúdo nele

  31. Por fim, o estudo pode interessar àqueles que buscam entender um pouco mais sobre a COVID-19 e seus impactos no mundo do trabalho, buscando uma compreensão mais eficaz sobre o tema a fim de emitir sua própria opinião, com base em discussões acadêmico- científicas. 31

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