E N D
1. POPULACO NEGRA E SEGURANCA PUBLICA A gente quer viver...
3. A gente quer viver... No dia 13 de janeiro de 2008, Denis Francisco dos Santos foi espancado por alunos da Policia Militar, e morreu por asfixia, em conseqncia dos golpes recebidos, quando participava de um prvia carnavalesca no bairro do Cordeiro, em Recife, acompanhado de seus familiares. Denis era negro.
4. A gente quer viver...
Na noite de 28 de fevereiro de 2006, 14 adolescentes foram parados pela Polcia Militar no centro do Recife, tera feira de carnaval. Dois deles, Zinael e Diogo, morreram em conseqncia das torturas. Um outro, testemunha contra os policiais, morreu alguns meses depois. Os adolescentes parados pelos policiais eram negros.
Na madrugada do dia 12 de agosto de 2005, Eli Carlos dos Santos, Fabio Leite de Farias e Alexandre Jos da Silva, o Bibite, todos trs jovens e negros, foram sumariamente executados em Casa Amarela. Os indicios do crime levam a crer na atuao de um grupo de exterminio.
5. A gente quer viver... Na madrugada de 18 de fevereiro de 2007, Fernanda Mara Ferreira Santos, negra, atriz e danarina afro-brasileira residente em Joo Pessoa, foi abordada, juntamente com seu companheiro tambm negro, durante o carnaval multicultural do Recife. Sem qualquer explicao sobre o motivo da abordagem, foi revistada de forma violenta por policiais masculinos, e em seguida, levada em um camburo a uma delegacia, tendo todos os seus direitos desrespeitados, e sendo ameaada pelo policial que a conduziu.
Atualmente, esta sendo processada criminalmente pelos policiais que efetuaram a priso.
6. H uma relao entre COR/RAA e VIOLNCIA?
7. A Cor da Morte* Os registros de homicdios fornecem poucos dados sobre as vitimas. Somente a partir de 1996 a identificao de cor/raa passou a ser obrigatria nas declaraes de bito. Esta ausncia da identificao da cor em homicdios no aleatria e responde necessidade da negao do racismo e seus efeitos por parte do Estado;
H um percentual de vitimas de homicdios com raa ignorada ou sem informao que varia de Estado para Estado, mas se mantm alto em alguns Estados: SE, ES, CE, GO, BA, PI, RO, PB, AL,PE, SC, RN, AC, nesta ordem.
10. Algumas estatsticas Brasil : 3 lugar no assassinato de jovens entre 84 paises;
Jovens negros tm um ndice de vitimao 85,3% superior aos jovens brancos;
Enquanto as taxas de homicdios entre os jovens aumentaram de 30,0 para 51,7 (por 100.000 jovens) no perodo de 1980 a 2004, neste mesmo perodo as taxas de homicdio para o restante da populao diminuram de 21,3 para 20,8 (por 100.000 habitantes);
A faixa etria em que ocorre um significativo aumento no numero de homicdios a de 14 a 16 anos
(Fonte: Mapa da Violncia 2004)?
11. Algumas estatsticas Pernambuco:
1 lugar entre os estados brasileiros com maior taxa de homicdios da populao total, e o 2 lugar entre as maiores taxas de homicdios da populao jovem;
Maior quantidade de municpios com os mais altos ndices de homicdio do pas;
Pernambuco apresenta o segundo maior ndice de homicdios de jovens negros do pas (141,5/100 mil);
Em Pernambuco, a taxa de vitimizao dos jovens negros 300% superior dos jovens brancos
A populao negra a que apresenta os mais altos ndices de vitimizao por violncia no Estado.
(Fonte: Mapa da Violncia 2004)?
12. Porque isto acontece?
13. Racismo cientfico (sc. XIX)*: O racismo dito cientfico porque se baseava sobre a cincia, acompanhando o desenvolvimento tecnolgico e industrial- estruturou-se na segunda metade do sculo XIX, transformando-se na ideologia justificadora da dominao dos pases capitalistas centrais sobre os pases da frica, sia e Amrica Latina.
14. Joseph Arthur de Gobineau (1816-1882): Em 1855, expe a tese da superioridade inata das raas brancas e louras (arianas) sobre todas as outras.
Em 1869 e 1870, viveu no Brasil, que dizia estar povoado pelas raas inferiores.
Para ele, a raa branca original havia desaparecido da face da terra.
15. Com o objetivo de demonstrar a relao entre as caractersticas fsicas dos indivduos e sua capacidade mental e propenses morais, criou a antropologia criminal, com base na frenologia (medio da cabea) e na antropometria (formato do crnio).
16. Sinais fsicos do criminoso, segundo Lombroso: mandbulas grandes,
ossos da face salientes,
pele escura,
orelhas chapadas,
braos compridos,
rugas precoces,
testa pequena e estreita.
Outras marcas no-fsicas: a epilepsia, o homosexualismo e a prtica de tatuagem.
17. Nina Rodrigues (1862-1906): Professor de medicina legal na Bahia - foi um dos introdutores da antropologia criminal, da antropometria e da frenologia no pas
Em 1894, publicou um ensaio sobre a relao existente entre as raas humanas e o Cdigo Penal, no qual defendeu a tese de que deveriam existir cdigos penais diferentes para raas diferentes. Segundo ele, no Brasil o estatuto jurdico do negro devia ser o mesmo de uma criana.
18. Alguns dos livros de Nina Rodrigues Mestiagem, Degenerescncia e Crime (1899), no qual discorre sobre degenerescncia e tendncias ao crime dos negros e mestios.
Antropologia patolgica: os mestios,
Degenerescncia fsica e mental entre os mestios nas terras quentes.
Os Africanos no Brasil (1890 1930).
19. O negro como sujeito de direito: O escravo, como coisa, no tinha personalidade jurdica civil.
Na esfera penal, era considerado diferentemente: se fosse autor de um crime, poderia ser julgado (adquiria personalidade jurdica); como vtima, seu agressor poderia ou no ser julgado a depender do dano propriedade.
20. A criminalizao do ser negro: Em 1850, o Exrcito Brasileiro recebe a funo de caar e devolver aos engenhos os negros reunidos nos quilombos;
Em 1890, o Cdigo Penal da Repblica tornar crimes, punidos de priso: a capoeiragem, a mendicncia, a vadiagem e a pratica de curandeirismo. A maioridade penal baixada, de 14 para 9 anos. Com estes crimes, a principal funo da policia das cidades estruturada nos primeiros anos da Republica a de prender a populao negra, principal alvo dos novos tipos penais.
21. O quadro atual
22. Racismo institucional: a cor da pele como principal fator de suspeio* O trabalho parte do conceito da violncia estrutural como as condies adversas e injustas da sociedade para com a parcela mais desfavorecida de sua populao e do racismo institucional para questionar se , entre os policiais militares, a cor o principal fator de suspeio.
23. Racismo institucional: a cor da pele como principal fator de suspeio Atravs de uma pesquisa que incluiu aplicao de questionrios a policiais profissionais e em formao e a analise dos boletins de ocorrncia de 07 unidades da PM, o autor conclui que a maioria dos policiais (65% dos profissionais e 76% e 74% dos alunos do CFO e CFSD, respectivamente) percebem que os negros so priorizados nas abordagens.
Nesta percepo dos policiais, o suspeito predominantemente jovem, masculino e negro.
Conclui tambm que a abordagem policial tambm reflete uma relao de poder, em que os menos esclarecidos so sistematicamente selecionados.
Portanto, a pesquisa comprova que a cor da pele o principal fator de suspeio entre os policiais militares de Pernambuco.
24. Raa e Justia: o mito da democracia racial e o racismo institucional no fluxo da Justia* Partindo da analise do mito da democracia racial como discurso ideolgico que reproduz as relaes raciais por meio da imposio do no-dito racista a tcnica de dizer alguma coisa, sem contudo aceitar a responsabilidade de t-la dito presente em piadas, implcitos, trocadilhos e injuria racial, desnuda a ineficcia do sistema jurdico em fazer valer a legislao anti-racista.
25. O genocdio do negro brasileiro* Efeitos da presuno de culpabilidade :
- policial que efetua a priso (que, em muitos casos, descamba para a eliminao pura e simples do suspeito)
- aparelho de segurana publica
- sistema judicirio: promotores e juizes
- atendimento mdico diferenciado ou mesmo falta deste, que se materializa na menor velocidade e pior qualidade de transporte e atendimento hospitalar para as pessoas negras vtimas de violncia
Biopolitica
26. Pacto pela VidaPlano Estadual de Segurana Publica
27. O processo da Conferncia de Segurana Publica Fevereiro de 2007: o Secretario de Articulao Social de Pernambuco convoca os movimentos sociais a apresentarem propostas Agenda Inicial de Segurana do Estado. A Articulao Negra de Pernambuco apresenta suas consideraes e propostas em separado, por considerar que o fator racial um dado estruturante da violncia no Estado;
05 de maro de 2007: o Decreto 30.244/2007 instala o Frum Estadual de Segurana Publica e cria a Comisso Organizadora da I Conferncia;
24 e 25 de maro de 2007: realizada a reunio das Cmaras Temticas do Frum de Segurana Publica. A Articulao Negra (Ana Paula Maravalho) integra a Cmara Temtica da Populao Negra;
21 e 22 de abril de 2007: realizada a Plenria do Frum de Segurana Publica, com participao de representante da Articulao Negra (Mnica Oliveira);
08 de maio de 2007: o governo apresenta a verso final do Pacto pela Vida Plano Estadual de Segurana Publica.
27 de novembro de 2007: realizado o II Frum Estadual de Segurana Publica, que constitui a Comisso Organizadora da Conferncia de Segurana Publica. A Articulao Negra de Pernambuco compe uma das 10 representaes do movimento social presentes.
28. Comisso Organizadora A Articulao Negra compe a Coordenao da Comisso Organizadora da Conferncia de Segurana Publica.
Representantes da Articulao Negra:
- Mnica Oliveira (Observatrio Negro)
- Piedade Marques
Coordenao Colegiada da Comisso Organizadora:
- Assessoria Especial do Governo
- Articulao Negra de Pernambuco
- CUT
- MNDH
29. Propostas do Movimento Negro PROPOSTAS DA ARTICULAAO NEGRA AGENDA DE SEGURANA MINIMA DO ESTADO (precedendo o Pacto pela Vida):
1- Criao de Delegacias Especiais de Combate ao Racismo;
2- Na estruturao da Defensoria Publica do Estado, ampliar o quadro de defensoras e defensores atravs da abertura de concurso pblico com cotas raciais, e ainda criar um canal especfico de atendimento, pela Defensoria, de casos de racismo e injria discriminatria;
3- Desenvolver aes de combate ao racismo institucional no mbito do governo estadual e articular aes semelhantes com os governos municipais;
4- Inserir o quesito cor raa nos registros pblicos de nascimento, bito, violncia e sade, de maneira a possibilitar um mapeamento das violncias cometidas contra a populao negra, possibilitando o direcionamento de polticas pblicas;
30. Propostas do Movimento Negro 5- Implementar polticas de capacitao continuada dos membros da polcia civil, militar e corpo de bombeiros nas questes relativas aos Direitos Humanos e Combate ao Racismo, no sentido de erradicar e prevenir prticas de racismo institucional nesses setores e de garantir o devido recebimento das denncias de discriminao tnica e racial.
6 - Implementar uma disciplina obrigatria, nas Academias, Escolas e Cursos de Formao de Polcia Civil e Militar, sobre relaes raciais e legislao antidiscriminatria;
7- Criar Centros de Referncia Regionais de apoio pessoa vtima de violncia racial e tnica.
31. Propostas do Movimento Negro PROPOSTAS APRESENTADAS PELA CMARA TECNICA POPULAO NEGRA PACTO PELA VIDA
Execuo das diretrizes e deliberaes produzidas na I Conferncia Estadual de Promoo da Igualdade Racial, realizada em 2005.
Instituio, mediante decreto governamental, do Programa Estadual de Promoo da Igualdade Racial (PCRI-PE).
Criao de Grupo de Trabalho sobre Segurana Pblica no mbito do PCRI-PE.
Implementao de Aes Afirmativas de gnero e raa em todas as instncias do poder executivo estadual.
Incluso imediata do indicador raa/cor em um sistema integrado de informao;
Produo de informaes acessveis com dados desagregados por cor/raa e gnero para construo de um diagnstico da dimenso racial da violncia a ser apresentado at 20 de novembro de 2007.
32. Propostas do Movimento Negro Formao imediata de uma equipe para desenvolver procedimentos policiais no-racistas, a serem incorporados, de imediato, nos cursos de formao policial.
Criao e implementao de uma disciplina curricular sobre relaes raciais e legislao nos cursos de formao (bsico, mdio e superior) para PM, PC, BM e Polcia Cientfica.
Campanha estadual de valorizao da pessoa negra, enfrentando, por meios educativos ou repressivos, a superexposio nos meios de comunicao das pessoas negras como suspeitos ou vtimas de violncia.
Formatao de uma cartilha educativa para policiais e populao em geral, com publicao e lanamento aps 30 dias.
Realizao de um curso de capacitao Relaes Raciais e Ao Policial que atinja, no prazo de 3 anos, todos os integrantes dos rgos operativos da SDS.
Elaborao de um plano especial de combate violncia policial cometida contra as populaes quilombolas, orientado para o tratamento humanizado e antidiscriminatrio da populao negra, quilombola, trabalhadores(as) rurais sem-terra no exerccio de seus direitos e liberdades fundamentais de protesto e de exigibilidade do direito terra, punindo exemplarmente condutas de abuso de autoridade e vedando quaisquer procedimentos de monitoramento e perseguio aos movimentos sociais
33. Pacto pela Vida: invisibilizando o fator racial da violncia No diagnostico, o Pacto pela Vida no considera o fator racial no perfil sociodemografico da populao, apesar dos dados estarem disponibilizados pelo IBGE. A nica relao estabelecida entre populao negra e branca quando se refere a diferenciais de pobreza e indigncia (p. 20)
O diagnostico tambm ignora completamente toda e qualquer estatstica que evidencie o fator racial da violncia, embora estes dados estejam disponveis em pesquisas e estudos como o Mapa da Violncia (item 2.2 Mortes Violentas Intencionais e 2.3 Perfil das Vitimas de Morte Violenta por Agresso);
34. Invisibilizando o Racismo Institucional Na analise das Organizaes do Sistema de Segurana Publica Estadual, no h um perfil racial da composio de seus rgos (item 2.5)
As Linhas de Ao (a partir da p. 63) no identificam o Racismo Institucional no Sistema de Segurana Publica Estadual como problema a ser resolvido, conforme definio da Cmara Tecnica Populao Negra.
35. Racismo Institucional na formao dos policiais pernambucanos
36. Racismo Institucional na formao dos policiais pernambucanos
37. A gente quer viver
38.
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